sexta-feira, 3 de julho de 2026

Vídeo gravado por homem queimado pode mudar investigação contra veterinária acusada de atear fogo no marido

A defesa da médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, afirmou que um vídeo gravado pelo próprio marido, vítima do incêndio registrado em Campo Grande, pode trazer novos elementos para o processo em que ela responde por tentativa de homicídio qualificado. O material foi apresentado após o Ministério Público denunciar a investigada e, segundo os advogados, pode influenciar o andamento da ação penal.

De acordo com a defesa, o vídeo foi gravado espontaneamente pelo homem após apresentar melhora no quadro clínico. Nele, a vítima relata sua versão sobre o que aconteceu na noite de 22 de junho. Os advogados Kamila da Silva Boeno, Jonatas Giovane de Paula dos Reis e Herika Cristina dos Santos Ratto informaram que o arquivo já foi encaminhado à Polícia Civil com pedido para que seja anexado ao inquérito, além da solicitação para que o marido seja ouvido oficialmente.

Segundo a defesa, esse depoimento ainda não havia sido colhido durante a fase de investigação porque a vítima permanecia internada em estado que impossibilitava sua manifestação. Os advogados sustentam que o vídeo representa um fato novo, inexistente quando ocorreram a audiência de custódia e a análise do pedido de revogação da prisão preventiva de Lidiane.

Em nota, a defesa afirmou que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público com respeito às instituições, mas defendeu que todas as provas sejam produzidas e analisadas sob os princípios do contraditório e da ampla defesa. Os advogados disseram confiar que o novo material será considerado pela Justiça durante a tramitação do processo.

Denúncia por tentativa de homicídio

Na quarta-feira (2), o Ministério Público denunciou Lidiane por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo. A acusação é baseada nas investigações da Polícia Civil, que apontam que a veterinária teria jogado álcool sobre o marido durante uma discussão e, em seguida, provocado o incêndio.

O homem sofreu queimaduras em aproximadamente 30% do corpo, principalmente no tronco e nos braços, e continua internado.

Versão da investigada

Em depoimento à Polícia Civil, Lidiane confirmou que jogou álcool na mochila do marido para impedir que ele viajasse para Brasília, mas negou que tivesse intenção de incendiá-lo. Segundo ela, as chamas começaram de forma acidental após uma faísca produzida por um isqueiro que segurava no momento da discussão.

A investigada também afirmou que o casal discutia por causa de uma suposta traição, disse estar arrependida e relatou fazer tratamento para depressão e transtorno de ansiedade generalizada. Ela informou, ainda, que havia interrompido o uso da medicação cerca de duas semanas antes do episódio.

Com a denúncia já aceita para análise pelo Judiciário e o novo vídeo apresentado pela defesa, o processo entra em uma nova fase, na qual as provas produzidas pela acusação e pela defesa serão avaliadas pela Justiça antes da decisão sobre a responsabilidade da ré.

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