As negociações entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) continuam sem consenso. A categoria rejeitou a proposta de reajuste salarial de 3,4%, apresentada pelo Executivo em reunião da Comissão Mista de Negociação, e decidiu manter a reivindicação pelo cumprimento integral dos 5,4% previstos na política municipal do Piso 20h.
A oferta da Prefeitura previa o pagamento do reajuste em duas parcelas de 1,7%, programadas para dezembro deste ano e janeiro de 2027. No entanto, a diretoria do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) recusou a proposta por considerar que o índice não atende ao percentual mínimo defendido pela categoria. A decisão foi confirmada pelos professores durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite de quinta-feira (25).
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni, o sindicato sequer levou a proposta para avaliação da categoria por entender que ela ficou abaixo do percentual reivindicado. De acordo com ele, a política do Piso 20h estabelece o índice de 5,4%, e qualquer negociação inferior a esse percentual não atende ao compromisso assumido anteriormente pelo município.
A negociação reúne representantes da Prefeitura, da ACP, da Comissão de Educação da Câmara Municipal e do Conselho de Secretários. Uma nova rodada de discussões foi agendada para a próxima quarta-feira (1º), às 10h, no Paço Municipal, quando a administração deverá apresentar uma nova proposta.
O sindicato afirma reconhecer as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, mas defende que os recursos destinados à educação possuem vinculação legal e podem ser reorganizados para garantir o pagamento do reajuste sem ampliar os gastos públicos. A entidade reforça que a principal pauta é a valorização dos quase 9 mil profissionais da rede municipal.
A reivindicação dos professores ganhou força nas últimas semanas. No dia 12 de junho, centenas de profissionais realizaram paralisação e caminhada pelas ruas centrais da Capital, encerrando a mobilização em frente ao Paço Municipal. Na ocasião, a prefeita Adriane Lopes afirmou que o município buscaria cumprir a política do Piso 20h, enquanto a administração alegou limitações orçamentárias.
Segundo o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, o município recebe cerca de R$ 960 milhões por ano do Fundeb, mas gasta aproximadamente R$ 1,5 bilhão apenas com a folha de pagamento da educação, o que gera um déficit superior a R$ 500 milhões e dificulta a concessão imediata do reajuste integral.
A Prefeitura ainda não informou se a nova proposta atenderá ao percentual de 5,4% reivindicado pela categoria. A expectativa agora fica para a reunião da próxima semana, que poderá definir os rumos da negociação entre o Executivo e os profissionais da educação.








