A forte reação de servidores públicos municipais e estaduais levou a Cassems a recuar parcialmente na cobrança da nova contribuição para cônjuges. Nesta segunda-feira (8), o presidente da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul, Ricardo Ayache, anunciou a prorrogação do prazo de pagamento da taxa de R$ 450 e a criação de um grupo de trabalho para discutir alternativas ao reajuste de 1.185%, que elevou a cobrança de R$ 35 para R$ 450 mensais.
O anúncio foi feito por meio de vídeo divulgado nas redes sociais da entidade. Na gravação, Ayache reconheceu a mobilização de servidores, sindicatos, associações e outras entidades representativas que, segundo ele, encaminharam sugestões para buscar soluções capazes de equilibrar as contas do plano de saúde sem ampliar ainda mais o impacto financeiro sobre os beneficiários.
“A Cassems sempre foi construída com participação, diálogo e responsabilidade de todos”, afirmou o presidente da instituição ao justificar a abertura das discussões.
A principal medida anunciada foi a prorrogação do vencimento da contribuição dos cônjuges. O prazo, que terminaria em 10 de junho, foi estendido para o dia 26 deste mês. Segundo Ayache, o objetivo é permitir que as famílias tenham mais tempo para se organizar financeiramente diante da nova cobrança.
Entre os servidores, porém, a decisão foi recebida com críticas. Muitos beneficiários avaliam que a mudança de data não resolve o problema principal, que é o aumento considerado excessivo. Nas redes sociais e grupos de discussão, usuários questionaram como conseguiriam arcar com o novo valor no fim do mês se já enfrentam dificuldades para absorver o reajuste logo após o recebimento dos salários.
Além do adiamento, Ayache anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisar propostas que possam reduzir o valor cobrado dos titulares e dependentes sem comprometer a sustentabilidade financeira da Cassems. Durante o pronunciamento, ele voltou a citar o aumento dos custos da saúde suplementar em todo o país como um dos fatores que pressionam as despesas da entidade.
Uma das principais vozes contrárias ao reajuste, a Associação dos Beneficiários da Cassems (Abecams), defende a suspensão imediata da cobrança de R$ 450 e a construção de uma solução compartilhada entre os servidores e o poder público. A entidade também propõe medidas de contenção de despesas internas, como revisão de contratos terceirizados e redução de gastos administrativos e institucionais.
O aumento da contribuição dos cônjuges segue sendo alvo de questionamentos judiciais. Nas últimas semanas, diferentes ações foram protocoladas na Justiça buscando suspender ou revisar o reajuste, considerado por muitos beneficiários desproporcional diante da realidade financeira dos servidores.
Enquanto o grupo de trabalho inicia suas atividades, milhares de famílias aguardam uma definição sobre o futuro da cobrança, que se tornou um dos temas mais debatidos entre os servidores públicos de Mato Grosso do Sul.








