A declaração foi dada após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul se manifestar contra o pedido do Consórcio Guaicurus para elevar a tarifa técnica do transporte coletivo de R$ 6,57 para R$ 7,79. Em parecer anexado ao processo judicial, o procurador de Justiça Aroldo José de Lima apontou risco de “enriquecimento sem causa” por parte das empresas concessionárias.
“Se vier aqui para a Câmara aumento de passagem ou mais dinheiro para o consórcio, o meu voto é claro, é contra”, afirmou Landmark.
O parlamentar criticou a falta de melhorias no sistema mesmo após os sucessivos repasses públicos realizados à concessionária.
“O Consórcio Guaicurus, mesmo depois da CPI aqui dentro da Casa, não melhorou em nada. Não houve aquisição de ônibus novos, o ar-condicionado do busão não avançou, não houve melhora das linhas nem da qualidade do serviço”, declarou.
Ministério Público questiona aumento milionário
Segundo o parecer do Ministério Público, somente em 2026 o Consórcio Guaicurus já recebeu mais de R$ 38,5 milhões em recursos públicos da Prefeitura de Campo Grande, sendo R$ 28 milhões em subsídio econômico e outros R$ 10,5 milhões em isenções tributárias.
O órgão também destacou que perícia judicial realizada em outro processo apontou cenário econômico diferente daquele apresentado pelas empresas de transporte.
O reajuste pedido pelo consórcio poderia representar aproximadamente R$ 45 milhões adicionais por ano às empresas concessionárias.
Além disso, relatório técnico produzido pela comissão de intervenção do município apontou falhas recorrentes na prestação do serviço e concluiu que o problema do transporte coletivo não será resolvido apenas com novos reajustes tarifários.
CPI do Consórcio e projeto “Ar no Busão”
Ainda em 2025, durante seu primeiro ano mandato, Landmark foi um dos primeiros vereadores a assinar o pedido de criação da CPI do Consórcio Guaicurus na Câmara Municipal.
Na época, o parlamentar defendeu investigação sobre a qualidade do serviço prestado, os contratos e a aplicação dos recursos públicos no transporte coletivo da Capital.
Também em 2025, Landmark apresentou o projeto “Ar no Busão”, que prevê a obrigatoriedade de funcionamento integral do sistema de ar-condicionado nos ônibus do transporte coletivo de Campo Grande.
O projeto chegou a ser aprovado pela Câmara Municipal, mas acabou vetado pelo Executivo. Em 2026, o vereador reapresentou a proposta.
A iniciativa prevê que novos ônibus adquiridos pelo Consórcio tenham ar-condicionado em funcionamento, além de estabelecer mecanismos de fiscalização.
Segundo Landmark, não é aceitável que a população continue pagando caro por um serviço considerado precário por usuários diariamente.
“O povo pega ônibus lotado, quente, demora horas no ponto e ainda querem colocar mais dinheiro público sem melhorar o serviço. Campo Grande merece respeito”, afirmou.
Texto: Renan Nucci
Foto: Pedro Roque









