A Assembleia Legislativa tem sido palco de um embate em torno do aumento de 1.200% na contribuição de cônjuges da Cassems, que saltou de R$ 35 para R$ 450. Deputados de diferentes bancadas subiram à tribuna para criticar o que chamaram de “aumento absurdo”, enquanto o presidente da entidade, Ricardo Ayache, sinalizou que não há disposição para voltar atrás.
O deputado João Henrique (NOVO) foi o mais incisivo: anunciou representação ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul contra a Cassems e defendeu a abertura de uma CPI. “CPI do aumento abusivo representa fato certo e determinado, para que possamos entender os desvios. Como pode o servidor não ser mais dono das unidades e as vendas não serem investigadas? Queremos os dados, são mais de R$ 1 bilhão”, afirmou.
O presidente da Casa, Gerson Claro (PP), disse que analisará o pedido de CPI, mas ponderou que a origem do recurso do cônjuge é privada. Ainda assim, reconheceu: “De pronto, acredito que você está correto em não aceitar essa majoração de R$ 35 para R$ 450.”
Conta genérica e déficit milionário
Paulo Duarte (PSDB) abriu o debate com um requerimento à diretoria da Cassems cobrando informações sobre a origem do déficit, os critérios atuariais usados e por que o peso recaiu sobre os cônjuges. “Um servidor que ganha R$ 3 mil e outro que ganha R$ 20 mil serão cobrados da mesma forma. Dentro do hospital todos são tratados por igual, mas estamos aqui defendendo um patrimônio do servidor”, disse.
Gerson Claro foi além e exigiu que a Cassems apresente a estratificação dos dez hospitais, por unidade, região e tipo de despesa. “Eu não sei se é Corumbá ou se é Coxim. Precisamos entender se é no hospital, no serviço, no medicamento, para saber onde estão as receitas e despesas e onde está o déficit”, afirmou.
Pedro Kemp (PT) classificou o reajuste como incompatível e alertou que o impacto compromete a renda de servidores com salários de até dois mínimos. Junior Mochi (MDB), Lidio Lopes (Avante) e Mara Caseiro (PL) também engrossaram as assinaturas no requerimento.
Ayache justifica, mas não recua
Em declaração à imprensa, Ayache afirmou que a medida é “necessária para garantir a sobrevivência do plano” e que não há previsão de revisão. O presidente da Cassems apresentou números: apenas na carteira de cônjuges, o déficit anual é de R$ 190 milhões, a arrecadação é de R$ 60 milhões, contra gastos de R$ 250 milhões. O custo médio por pessoa, segundo ele, é de R$ 528 e passará a R$ 590 com o ajuste. “Claro que a gente não gostaria de fazer isso. Não é uma coisa que a gente desejava, mas é necessária para garantir que o plano continue oferecendo assistência de saúde de qualidade”, afirmou.
Ayache, em entrevista ao Campo Grande News, rebateu ainda o percentual de 1.200%: “Há uma distorção da realidade. A contribuição do servidor é de 6% quando ele é sozinho. Quando é casado, passa para 7% do salário, mais a contribuição patronal, e tem essa contribuição fixa de R$ 35. Nós só alteramos a contribuição fixa. O percentual não foi alterado.”
O discurso de transparência, no entanto, não convenceu os deputados. Em comunicado aos beneficiários, a Cassems atribuiu o reajuste ao crescimento acelerado dos custos de saúde, internações mais complexas, tratamentos contínuos e remédios de alto custo, e manteve a posição de que a medida é inevitável para preservar a continuidade da assistência médica.







