segunda-feira, 18 de maio de 2026

Vereadores votam projetos sobre isenção do IPTU e telemedicina na terça-feira

Três projetos de lei e dois vetos do Executivo estão pautados para discussão e votação pelos vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande, na sessão ordinária de terça-feira, dia 19, a partir das 9 horas. As propostas contemplam os seguintes temas: mudança na legislação para garantir isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a pessoas carentes, critérios para assegurar a transparência no Executivo e Legislativo, além de regulamentação da Telemedicina na Capital.

Os vereadores votam, em única discussão, o Projeto de Lei Complementar 895/23, que dispõe sobre a concessão de isenção do IPTU e das taxas de serviços urbanos. A proposta promove alterações em legislação de 2014, para conceder a isenção do Imposto a pessoas de baixa renda, elencando série de regras. O projeto é do vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, assinado também pelo vereador Clodoilson Pires.

Projeto semelhante chegou a ser aprovado em 2021, mas teve veto do Executivo mantido diante do argumento de que a proposta seria enviada pela prefeitura, o que não ocorreu. O projeto foi motivado por vários casos de contribuintes que sofreram reavaliação do valor venal do imóvel, muitas vezes em decorrência de melhorias no bairro, e acabaram perdendo o direito à isenção, por diferenças pequenas. Na maioria, as construções sofreram depreciações.  

Conforme justificativa da proposta, “se trata de política pública de grande valor, pois visa garantir aos mais carentes financeiramente a isenção do IPTU”. Ainda segundo a justificativa, o projeto de lei não altera a essência da Lei, a não ser retirar a vinculação ao valor venal da propriedade para a concessão da benesse. A lei em vigor limita o benefício para quem possui um único imóvel de valor venal não superior a R$ 83,7 mil.

No projeto, constam algumas regras, como: se enquadrar na categoria mínimo-inferior, mínimo-superior, baixo-inferior, baixo-médio, baixo-superior e normal-inferior, considerado imóvel de habitação popular; a propriedade e residência do contribuinte aposentado ou pensionista com renda familiar não superior a dois salários mínimos. Há ainda regras que implicam em perda do benefício, como incremento na renda mensal, alterações no imóvel, entre outros.

Já em segunda discussão, foi aprovado o Projeto de Lei 11.603/25 que dispõe sobre a regulamentação e a prática da Telemedicina em Campo Grande, respeitando as diretrizes da Lei Federal nº 14.510/2022, da Resolução CFM nº 2.314/2022, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) e demais normas. O projeto é dos vereadores Rafael Tavares e André Salineiro.

Dentre os princípios, consta direito de recusa ao atendimento na modalidade telessaúde, com a garantia do atendimento presencial sempre que solicitado. Como justificativa da proposta, consta que “a adoção da Telemedicina em Campo Grande representa um avanço significativo na modernização da saúde pública, permitindo que atendimentos de baixa complexidade sejam realizados remotamente. Isso reduz deslocamentos desnecessários, melhora a eficiência no atendimento médico e contribui para diminuir filas e a superlotação nos postos de saúde municipais, garantindo que casos mais graves recebam atenção prioritária”.

A proposta foi aprovada em primeira votação com uma emenda do vereador Jean Ferreira, que altera o artigo 14 do projeto e veda a transferência a terceiros da gestão, da regulação, da coordenação assistencial ou da responsabilidade sanitária dos serviços públicos municipais de saúde, bem como a substituição de profissionais, equipes, unidades ou serviços próprios da rede municipal. Há possibilidade de parcerias apenas para a parte de tecnologia. Prevê ainda a necessidade de deliberação do Conselho Municipal de Saúde. 

Já em segunda discussão será votado o Projeto de Lei 12.131/25, que assegura a todo cidadão o acesso simplificado, desburocratizado e irrestrito às informações sobre remuneração, subsídio, proventos, vencimentos e demais vantagens pecuniárias dos agentes públicos vinculados aos Poderes Executivo e Legislativo do Município de Campo Grande.

O objetivo é garantir a efetividade prática do direito de acesso à informação já assegurado pela Constituição Federal e pela Lei Federal nº 12.527/2011, a Lei de Acesso à Informação. A proposta busca regulamentar a forma de acesso a essas informações, tornando-o mais simples, intuitivo e democrático. Conforme o projeto, “embora o Portal da Transparência de Campo Grande já disponibilize a funcionalidade de consulta por nome de forma opcional, não há garantia legal de que essa facilidade será mantida ou de que não serão impostos filtros obrigatórios no futuro”.

A proposta é dos vereadores Ronilço Guerreiro, Professor Juari, Flávio Cabo Almi, Professor Riverton, Leinha, Veterinário Francisco, Maicon Nogueira, Luiza Ribeiro, Rafael Tavares, Herculano Borges, Landmark, Neto Santos, Dr. Jamal, Ana Portela e Jean Ferreira.

Vetos – Serão votados ainda dois vetos do Executivo, durante a sessão. Um deles ao Projeto de Lei 12.089/25, que dispõe sobre a criação do Horto Florestal da região norte. A proposta é de autoria do vereador Ronilço Guerreiro. A prefeitura alegou vícios formais, inconsistências relacionadas à lei ambiental e dificuldades orçamentárias.

Também será votado veto parcial ao Projeto de Lei 12.098/25, que institui a carteira municipal de identificação para portadores de doença celíaca ou demais desordens relacionadas ao glúten (DRGS). A proposta é da vereadora Ana Portela. O veto refere-se ao artigo 2º, ao determinar que a emissão da carteira será de responsabilidade da Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. O outro refere-se artigo 7°, que busca assegurar de forma ampla o fornecimento de refeição especial sem glúten durante o período de internação hospitalar, pois interfere na rotina técnico-assistencial e na organização operacional dos serviços de saúde.

Palavra Livre – Durante a sessão, Aldemar Morais de Souza, presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, que falará sobre negligência médica e falhas no Sistema de Regulação da Saúde Pública. Ele também vai dar informações e visibilidade sobre o caso do menino João Guilherme Jorge Pires, que faleceu aos 9 anos, vítima de negligência médica. O convite para falar do assunto foi feito pelo vereador Junior Coringa.

A sessão ordinária inicia às 9 horas, na Câmara Municipal e pode ser acompanhada presencialmente ou nas transmissões ao vivo pela TV Câmara, no canal 7.3, ou no Youtube da Casa de Leis.

Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal 
 


Fonte: Câmara Municipal de Campo Grande – MS