sexta-feira, 15 de maio de 2026

Oficina de siriri promoveu encontro entre gerações pela preservação da cultura pantaneira

  • Publicado em 15 maio 2026

    por Daniel •

  • Viola de cocho, mocho e ganzá, a tríade de instrumentos musicais que fazem o som para o siriri, dança que é considerada a quadrilha pantaneira e que ganha evidência em festas populares e de santos na extensão do território da maior planície alagada do planeta.

    Tocada pelos mestres cururueiros, senhores que detêm conhecimento da arte de confeccionar, encordoar, afinar e criar as ladainhas, a viola de cocho teve seu modo de fazer reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil.

    Um desses senhores é o mestre Sebastião Brandão que, junto a mestre siririeira Carmen Lígia Palhano, ao bailarino Kléber Kosta e a professora de dança, Sara Carolina, fizeram uma grande “brincadeira” com alunos da escola municipal Luiz Feitosa Rodrigues, na tarde desta sexta-feira, 15 de maio, na sede do Instituto do Homem Pantaneiro, no Porto Geral de Corumbá.

    Atividade integrante da programação do FAS – Festival América do Sul 2026, a Oficina de Cururu e Siriri promoveu o encontro entre gerações que buscam perpetuar a cultura e a tradição pantaneiras. 

    “Pra mim, é um prazer estar junto dessa criançada. Quando a gente chega, eles ficam estranhando, ficam tudo acanhado, sem saber o que vai fazer. Depois que a gente explica pra eles, passam a participar e gostar”, comentou o mestre Sebastião que é referência em Mato Grosso do Sul e já despertou o gosto pela cultura do cururu e do siriri em muita gente.

    “Essas moças tudo já passou por nós. Agora, estamos ensinando juntos. Isso é importante para não perder a tradição. Essa é a nossa preocupação que tenha pessoas mais novas que sigam levando nosso saber”, desabafou o senhor de 82 anos de idade, nascido na região do Castelo, no pantanal de Corumbá, mas que há muitos anos reside em Ladário.

    Neto do mestre cururueiro João Deodoro, o bailarino Kléber Kosta contou aos estudantes que foi ainda criança que aprendeu os passos e as cantigas do siriri que, hoje, ensina em suas ações. Orgulhoso de carregar no sangue e no coração, a cultura pantaneira, ele explicou que para dançar o siriri o importante é não perder o ritmo e marcar bem os passos.

    Lailá

    Ao dar a ordem para dançar, os mestres usam a frase: “vamos brincar!”, pois o siriri é acima de tudo um momento de descontração quando os casais podem usar passos em roda, fila e “de tirar”, que são as modalidades do estilo da dança.

    “Antes, só tinha um Mato Grosso, que era grandão. E o jeito de dançar que ficou em Cuiabá depois de 1977, quando surgiu Mato Grosso do Sul, é diferente do que fazemos aqui, que é algo mais raiz”, comentou Kléber ao aproveitar para falar um pouco de história com os estudantes e participantes da Oficina.

    Quem já brincou o siriri sabe que a expressão “lailá” repetida cinco vezes é a “emenda” entre as cantigas que falam em suas letras de cenários pantaneiros, do orgulho de pertencer a essa terra e demais elemento de nossa cultura.

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    texto Lívia Gaertner

    Fotos Altair Santos


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS