Com um discurso direto, Tiago afirmou que decidiu enfrentar publicamente temas que, segundo ele, ainda são tratados como tabu pela sociedade. “As pessoas têm muito medo de falar três palavras: câncer, morte e velório. Enquanto a gente não fala, elas assombram a gente. Quando a gente dá nome, elas ficam mais leves, mais fáceis de enfrentar”, disse.
O advogado contou que faz tratamento paliativo e que os médicos não estimam mais quanto tempo de vida ele tem. Ainda assim, reforçou que prefere enxergar o presente com plenitude. “Eu não estou morrendo. Eu vou morrer, mas estou vivendo”, disse na tribuna.
Tiago realizará, no próximo dia 30 de maio, um “velório em vida”, evento que definiu como uma celebração ao lado de amigos e familiares. “Vai ser uma grande festa, todos estão convidados, com muita música, diversão. Quero que seja uma data alegre”, afirmou.
Ao longo da fala, ele pediu que a Câmara promova uma audiência pública e campanhas de conscientização sobre ortotanásia, sedação paliativa e testamento vital.
“Silenciar sobre essa pauta não é neutralidade. Famílias quebram tentando manter a sobrevida de alguém que não tem mais possibilidade. Quebram fisicamente e emocionalmente. Esse é o preço do silêncio”, discursou.
Tiago explicou ainda a diferença entre práticas permitidas no país, como a ortotanásia — que permite ao paciente terminal recusar tratamentos que apenas prolonguem o sofrimento — e temas que seguem proibidos pela legislação brasileira, como a eutanásia e o suicídio assistido.
Segundo ele, a discussão ultrapassa questões ideológicas e diz respeito à realidade humana. “Essa pauta não pertence a ninguém. Ela pertence a todo mundo. Todos nós vamos morrer, e todos vão acompanhar a morte de um ente querido”, afirmou.
Jeozadaque Garcia
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal







