A aprovação de um novo medicamento oral para obesidade nos Estados Unidos reacendeu o debate sobre acesso e custo no tratamento da doença. Apelidado por especialistas como uma espécie de “Mounjaro em comprimido”, o orforglipron, comercializado como Foundayo, surge como alternativa mais prática e potencialmente mais barata em comparação aos injetáveis já populares no mercado.
Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o remédio pertence à classe dos agonistas de GLP-1, os mesmos utilizados em medicamentos como Mounjaro e Ozempic. A principal diferença está na forma de uso: enquanto os concorrentes mais conhecidos são aplicados por injeção, o novo tratamento é feito por meio de comprimido diário, sem necessidade de horários rígidos ou restrições alimentares, o que pode facilitar a adesão dos pacientes.
Nos estudos clínicos, o medicamento apresentou resultados semelhantes aos já disponíveis no mercado, com perda de peso entre 11% e 15% ao longo de cerca de um ano. Apesar de, em média, ter efeito um pouco inferior a versões injetáveis mais potentes, o diferencial competitivo está na praticidade e no custo.
Nos Estados Unidos, o preço inicial foi estimado em cerca de US$ 149 por mês (aproximadamente R$ 780), valor considerado mais acessível em relação a outros tratamentos da mesma classe, que podem ultrapassar facilmente a faixa de mil reais mensais. A estratégia da fabricante é ampliar o alcance do tratamento, atingindo pacientes que não aderiram às opções injetáveis, seja por custo, seja pela forma de aplicação.
O lançamento também intensifica a disputa entre gigantes farmacêuticas no mercado de medicamentos contra obesidade, hoje dominado por empresas como a Novo Nordisk. Analistas avaliam que as versões em comprimido devem ganhar espaço nos próximos anos, principalmente por atenderem a um público mais amplo e por reduzirem barreiras de uso.
Apesar da expectativa, o medicamento ainda não tem previsão de chegada ao Brasil, já que depende de avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Especialistas alertam ainda que, como outros remédios da classe, o uso pode causar efeitos colaterais, como náuseas e desconfortos gastrointestinais, além de exigir acompanhamento médico.
A aposta da indústria é clara: transformar o tratamento da obesidade em algo mais simples, acessível e compatível com a rotina, um movimento que pode ampliar significativamente o número de pessoas em tratamento nos próximos anos.








