terça-feira, 24 de março de 2026

Rio registra quase 1,4 mil vítimas de balas perdidas em 10 anos

1389 vítimas de bala perdida. 192 crianças baleadas. 359 chacinas nos últimos dez anos. Isso só no Rio de Janeiro. Os dados são do Instituto Fogo Cruzado e foram repassados à CPI do Crime Organizado pela fundadora do Instituto, Cecília Oliveira, que prestou depoimento nesta terça-feira.

Ela aponta a causa para aumento do crime organizado, não só no Rio, mas em todo o país.

“É aquilo que eu chamo de adubo do crime. O que que isso significa? Que o crime, ele vai crescer vigorosamente onde falta o Estado. E eu falo que falta o Estado no sentido de falta de fiscalização especificamente, e onde, ao mesmo tempo, há uma colaboração dos agentes públicos. E eu não estou falando aqui especialmente de polícia não. Eu falo aí sobre toda a qualidade de servidor público: desde o deputado, o juiz, o secretário que fecha os olhos aí para alguma situação, até, obviamente, o policial que vai buscar o arrego, que a gente sabe que, infelizmente, é uma realidade.”

Cecilia Oliveira ainda traz outro dado relevante. Em duas décadas, as milícias aumentaram mais de 300%. Mais de 500% se pensarmos em zonas de influência, que é quando não há o controle, mas a prestação de serviços e presença de grupos armados.

A solução, segundo ela, é agir em conjunto. Políticas organizadas nacionalmente e não localmente como ocorre hoje.

“Porque o crime se nacionalizou, mas as políticas de segurança pública ainda não. E a gente sabe: o PCC está aí, em 28 países; o Comando Vermelho, ele avança sobre estados, sobre rotas internacionais na América Latina; e nós ainda tratamos esse problema de forma local, de forma fragmentada, com instituições que brigam ou por protagonismo ou por orçamento, ao invés de conseguir cooperar. E é papel dos governadores eles sentarem juntos para poder enfrentar esse problema que afeta todos nós de forma coordenada. E esse movimento, ele precisa, de fato, ser liderado pelo Legislativo e pelo Governo Federal.”

Nesta terça-feira, a CPI do Crime Organizado iria ouvir também o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana, mas por uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ele foi desobrigado a ir. Bellini tinha pedido para não comparecer porque está em São Paulo e, por causa da tornozeleira eletrônica, não pode sair de lá para vir à Brasília falar à CPI.

Ele foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. É acusado atuar como uma espécie de consultor informal de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. Bellini e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC. Os dois foram afastados da função por decisão do próprio André Mendonça.



Fonte: Radioagência Nacional – EBC

X