A espera de até um ano por um exame considerado essencial no diagnóstico de doenças cardíacas levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a abrir um inquérito civil para apurar a situação da rede pública em Campo Grande. A investigação mira a demora na realização do Holter 24 horas, exame usado para identificar arritmias e outras alterações no coração.
Levantamento da 32ª Promotoria de Justiça apontou que quase 500 pacientes aguardavam pelo procedimento, com tempo médio de espera de aproximadamente 12 meses. Para o MPMS, o cenário é incompatível com o direito à saúde e com a urgência clínica que muitos casos exigem.
Mesmo após ajustes informados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a fila segue com centenas de pessoas. O registro mais antigo de solicitação ainda em aberto é de setembro de 2024, o que evidencia a dificuldade do município em dar vazão à demanda. Atualmente, os exames são realizados por meio de unidades contratualizadas, mas a capacidade é considerada insuficiente.
A apuração também inclui a análise da integração do município com o programa estadual “MS Saúde — Mais Saúde, Menos Filas”, criado para reduzir a espera por consultas, exames e cirurgias. Segundo o MPMS, a ampliação da oferta depende da adesão efetiva de Campo Grande e da articulação entre os gestores, o que ainda não ocorre de forma consolidada.
Como parte das diligências, a Promotoria solicitou à Sesau informações detalhadas sobre o tamanho atual da fila, a estrutura disponível, o cumprimento de contratos com prestadores e as medidas previstas para ampliar o atendimento, como aquisição de equipamentos e reorganização da rede. O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap/UFMS), que recentemente adquiriu novos aparelhos para o exame, também foi acionado para prestar esclarecimentos.
O procedimento tramita em regime restrito, por envolver dados pessoais de pacientes do SUS, conforme prevê a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Ministério Público informou que seguirá acompanhando o caso e cobrando providências para reduzir o tempo de espera e ampliar a oferta do exame na Capital.
Foto: Divulgação MPMS







