quinta-feira, 5 de março de 2026

Com apoio da Fundação de Cultura, Ney Matogrosso e Chico Chico estão entre as grandes atrações nacionais do Festival da Juventude na UFMS

  • Publicado em 05 mar 2026

    por Karina Medeiros de Lima •

  • “Acredito nos jovens à procura de caminhos novos abrindo espaços largos na vida”, escreveu Cora Coralina. É nesse território de descoberta, experimentação e criação que o Festival da Juventude 2026 retorna ao campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, entre os dias 26 e 28 de março, reunindo música, literatura, cinema, debates e formação artística. Entre os destaques da programação estão dois nomes que representam momentos distintos — e igualmente potentes — da música brasileira: Ney Matogrosso e Chico Chico.

    Depois de reunir cerca de cinco mil pessoas em sua primeira edição, em 2024, o festival retorna consolidando sua proposta de colocar a juventude no centro da criação cultural, aproximando jovens artistas, escritores, estudantes e público em geral de grandes nomes da produção artística brasileira. O lançamento oficial do Festival da Juventude 2026 acontece nesta quinta-feira (5), durante a programação de recepção dos calouros da UFMS.

    Ney Matogrosso: um encontro entre gerações no Teatro Glauce Rocha

    Um dos momentos mais aguardados do Festival da Juventude será a presença de Ney Matogrosso no Teatro Glauce Rocha na abertura do festival (26 de março), em uma palestra-show que propõe um encontro direto entre o artista e o público. A conversa será conduzida por dois jovens participantes do festival, criando um diálogo entre gerações e aproximando a trajetória de um dos maiores nomes da música brasileira das inquietações e curiosidades da juventude.

    No palco, Ney surge de negro da cabeça aos pés, sem adereços, caminhando com elegância pelo espaço que parece reconhecer como território próprio. Em sua presença cênica, cada gesto carrega a experiência de décadas dedicadas à arte. Entre histórias, reflexões e canções, o público acompanhará um artista que transformou a música brasileira com sua liberdade estética e sua força interpretativa.

    Para a coordenadora geral do festival, Andréa Freire, receber Ney Matogrosso no evento tem um significado especial para Mato Grosso do Sul.

    “É uma alegria imensa poder receber o Ney aqui no Teatro Glauce Rocha e compartilhar esse momento com a juventude do nosso estado. Ney nasceu nesta terra, quando ainda éramos Mato Grosso, e se tornou um dos maiores artistas da cultura brasileira. Ele foi um jovem brilhante que abriu caminhos e continua inspirando gerações. Para nós, é muito especial tê-lo aqui, dividindo sua arte e sua trajetória com os jovens sul-mato-grossenses”.

    A presença do artista reforça o espírito do festival: aproximar diferentes gerações da cultura brasileira e permitir que os jovens encontrem, no encontro com grandes trajetórias artísticas, novas possibilidades de criação, pensamento e expressão.

    Chico Chico: a chama da nova geração da música brasileira

    Representando uma das vozes mais instigantes da nova geração da música brasileira, Chico Chico chega ao Festival da Juventude com o show “Let It Burn – Deixa Arder”, trabalho que revela a fase mais visceral e autoral de sua trajetória artística. O espetáculo mergulha no universo do compositor e apresenta um repertório que transita entre diferentes sonoridades, refletindo a diversidade de influências que atravessam sua música.

    No palco, Chico Chico conduz o público por uma travessia sonora que começa com canções como “Tanto Pra Dizer”, que revela um lado mais íntimo e romântico do artista, e segue por composições como “Tempo de Louças” e “Let It Burn”, onde a intensidade emocional e poética se torna marca central do espetáculo.

    Como um fogo indomável, o repertório percorre caminhos diversos: do blues autobiográfico “Two Mother’s Blues” à milonga “Lugarzinho”, passando pelo groove brasileiro de “Hora H”, o tom espiritual de “Acaso Inevitável” e a delicadeza de “Canção de Ninar”. Em outras faixas, Chico navega entre referências do folk norte-americano e do folclore brasileiro, como em “Reason to Moan” e “Na Minha Idade”, revelando um artista que constrói pontes entre tradições musicais distintas.

    O show também traz releituras de clássicos que ajudaram a formar o imaginário musical do artista, como “Vila do Sossego”, de Zé Ramalho, “Girl From the North Country”, de Bob Dylan, e “Four and Twenty”, de Stephen Stills.

    Resultado de uma parceria criativa com o produtor Pedro Fonseca e músicos que acompanham o artista nessa jornada, “Let It Burn – Deixa Arder” apresenta Chico Chico em sua expressão artística mais ampla e madura. No Festival da Juventude, o público terá a oportunidade de acompanhar de perto um artista que vem consolidando sua presença como uma das vozes mais sensíveis e inventivas da nova música brasileira.

    Um festival onde a juventude se expressa

    Mais do que shows, o Festival da Juventude aposta na criação artística e na formação como pilares de sua proposta. Para a coordenadora geral do evento, Andréa Freire, o festival nasce da necessidade de criar um espaço onde a juventude possa se reconhecer e se expressar.

    “O foco do festival é estimular a expressão, o pensamento e a sensibilidade de jovens por meio da literatura e artes afins. Buscamos promover um território onde a juventude se encontra e se revela no contato com a arte e com seus pares”.

    A programação inclui concursos literários, batalha de rima e o desafio audiovisual “1 minuto de cinema inspirado na literatura”, que premiam jovens criadores e publicam os textos vencedores em livro. As inscrições seguem abertas até o dia 15 de março. “O que buscamos é o que pensa e sente o jovem sul-mato-grossense, sua leitura de mundo”, afirma Andréa.

    Oficinas transformam o festival em espaço de criação

    Além das apresentações artísticas, o festival contará com uma ampla programação formativa com oficinas de escrita criativa, mediação de leitura, roteiro cinematográfico, criação de aplicativos, interpretação para cinema e TV e poesia slam, que seguem abertas até o dia 20 de março, no site do festival.

    Para o coordenador de infraestrutura e logística do evento, Gustavo Castelo, o Cegonha, a proposta é ampliar o entendimento do que pode ser um festival cultural.

    “A diversificação da cultura é fundamental. Se fala muito em música quando se pensa em cultura, mas a literatura é um braço com enorme importância. Incentivar esses jovens a expor sua criatividade para o mundo amplia o repertório cultural de todo o estado”.

    Um encontro entre gerações

    Com artistas consagrados como Ney Matogrosso, representantes da nova geração como Chico Chico e uma programação voltada à formação e à criação, o Festival da Juventude 2026 propõe um encontro entre diferentes tempos da cultura brasileira.

    Entre palco, oficinas e concursos, a universidade se transforma por alguns dias em território de experimentação, onde jovens deixam de ser apenas espectadores para se tornarem autores, intérpretes e criadores de suas próprias narrativas.

    Para a reitora da UFMS, sediar o festival reforça o papel público da universidade como espaço de encontro e construção cultural.

    “Sediar o Festival da Juventude reafirma a UFMS como um espaço público de escuta, diálogo e protagonismo juvenil. Ao abrir nossa casa para um evento pensado com e para os jovens de Mato Grosso do Sul, a universidade cumpre sua missão social de ir além da formação técnica, posicionando-se como agente ativo na promoção da cidadania, da diversidade cultural e da participação social”.

    Ela destaca que receber jovens artistas e estudantes no campus fortalece o vínculo entre universidade e sociedade.“Ao abrir suas portas para estudantes da educação básica, jovens artistas, coletivos culturais e a comunidade em geral, a UFMS se apresenta como um espaço acolhedor, acessível e plural”.

    Mais informações estão disponíveis no site oficial do festival https://festjuv.com.br/2026/ e pelo Instagram @festivaldajuventudems.

    O Festival da Juventude é uma realização do Instituto Curumins em parceria com a UFMS e com o Ministério da Cultura, que efetiva convênio por meio de emenda destacada pelo deputado federal Vander Loubet, além do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura Lei Rouanet, Fundo Nacional de Cultura e Governo do Brasil. Tem o apoio da Secretaria de Estado da Cidadania, Subsecretaria da Juventude, Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Secretaria de Estado da Educação, Fundação de Cultura, Educativa MS, Governo de MS e Águas Guariroba.

    Com informações da Assessoria

    Foto Ney Matogrosso: Marcos Hermes

    Foto: Chico Chico: Zabenzi


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS