Uma declaração considerada machista durante partida das quartas de final do Campeonato Paulista motivou reação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O presidente da Casa, deputado estadual Gerson Claro (PP), apresentou nesta terça-feira moção de apoio e congratulação à árbitra sul-mato-grossense Daiane Caroline Muniz dos Santos, natural de Três Lagoas, após críticas direcionadas a ela no confronto entre Red Bull Bragantino e São Paulo Futebol Clube, realizado no último sábado (21), pelo Campeonato Paulista.
Durante pronunciamento em plenário, o parlamentar afirmou que a árbitra foi alvo de questionamentos que extrapolaram a análise técnica da partida e colocaram em dúvida sua capacidade profissional pelo fato de ser mulher. Segundo ele, esse tipo de postura não encontra respaldo nos princípios esportivos nem nos valores constitucionais de igualdade e respeito.
Gerson também citou declarações do zagueiro Gustavo Marques, dadas em coletiva após o jogo, classificando-as como reflexo de uma cultura que ainda naturaliza o machismo no ambiente esportivo. Para o deputado, manifestações públicas com esse teor reforçam estereótipos e contribuem para a manutenção de desigualdades históricas. “O problema é cultural. Começa com gestos de violência simbólica, que depois evoluem para agressões e até feminicídio. Quando a sociedade reage e cobra uma postura diferente, mostra que estamos no caminho da mudança”, afirmou.
O presidente da Assembleia ressaltou que o Parlamento estadual tem debatido políticas voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra a mulher, inclusive em espaços tradicionalmente masculinizados, como o futebol. “Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na arbitragem. E esta Casa sempre fará essa defesa”, declarou.
A moção será encaminhada ao presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, e ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Samir de Araújo Xaud. O objetivo, segundo Gerson Claro, é registrar oficialmente o apoio institucional à árbitra e reforçar a necessidade de medidas efetivas de combate a qualquer forma de discriminação no esporte.







