Governo de MS fomenta parceria inédita para desenvolver bioinsumos florestais com DNA do Pantanal

Publicado em 13 fev 2026
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por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
Mato Grosso do Sul deu mais um passo estratégico na consolidação de seu ecossistema de inovação. Na tarde de quinta-feira (12), no auditório da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação), foi assinado Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). A iniciativa formaliza a cooperação técnica e científica para execução do projeto “Biológico para implantação de mudas de eucalipto – validação de protocolos de aplicação e testes de eficácia”, voltado ao setor florestal. O ato é um marco histórico na política estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado.
O acordo envolve a UFV (Universidade Federal de Viçosa) e a startup sul-mato-grossense Pantabio, com interveniência da Fundação Arthur Bernardes, e prevê pesquisa aplicada, transferência de recursos, gestão administrativa e execução conjunta do plano de trabalho. Na prática, a parceria conecta universidade e empresa para desenvolver soluções tecnológicas sustentáveis destinadas à implantação de mudas de eucalipto, ampliando a produtividade e reduzindo riscos climáticos nas florestas plantadas.
A Pantabio é a primeira startup nascida no campus da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em Aquidauana. É dedicada ao desenvolvimento de bioinsumos a partir do fungo Trichoderma, que aumenta a eficiência das lavouras e reduz a dependência de insumos químicos. Fundada pelo pesquisador e professor doutor Tiago Calves e pela professora doutora Mércia Celoto, a empresa aposta na biotecnologia como ferramenta para enfrentar os desafios impostos pelo aumento das temperaturas e pela maior frequência de eventos extremos. Os microrganismos utilizados são adaptados a condições severas de estresse hídrico e térmico, característica que confere diferencial competitivo à tecnologia desenvolvida no Estado.
O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Semadesc, Ricardo Senna, destacou que a assinatura simboliza um movimento estruturante iniciado pelo Governo do Estado para consolidar uma ambiência permanente de inovação. Segundo ele, Mato Grosso do Sul vem atraindo empresas porque reúne talentos, laboratórios universitários qualificados e políticas públicas consistentes, alinhadas à estratégia de neutralidade de carbono e à bioeconomia. “Queremos que esse fluxo se torne orgânico: a empresa procura a universidade, estrutura a parceria e encontra, na Fundect e nos instrumentos de fomento do Estado, o apoio necessário para transformar pesquisa em solução tecnológica”, afirmou.
Tiago Calves, da Pantabio, afirmou que o projeto representa o retorno da ciência para a sociedade e para o produtor rural. Ele lembrou que sua trajetória acadêmica foi construída com apoio de bolsas públicas e que a empresa nasce justamente dessa base científica. Segundo ele, o diferencial do produto está no território: o Trichoderma utilizado foi isolado no Pantanal, ambiente de extremos climáticos, com períodos prolongados de alagamento e altas temperaturas, o que confere maior resiliência às mudas em viveiro e em campo.
“Estamos falando de tecnologia com DNA do Pantanal, preparada para enfrentar estresse térmico e hídrico. O nosso foco é simples: como essa inovação resolve problemas reais do campo, aumenta a produtividade e reduz perdas”, destacou, ao defender que a integração entre universidade, governo e empresas é o caminho para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico sustentável.
Representando a UFV, o professor doutor Jean Marcel de Sousa Lira destacou o simbolismo da parceria e lembrou que a universidade foi pioneira na interação com a iniciativa privada por meio da Sociedade de Investigações Florestais (SIF), há mais de cinco décadas, modelo que segue ativo e facilita parcerias como a firmada em Mato Grosso do Sul, inclusive com empresas como MS Florestal, Arauco e Suzano. “Contribuir com a validação de uma tecnologia já comprovada na agricultura e apoiá-la na transição para o setor florestal reforça o papel complementar das instituições e amplia os benefícios ao longo de toda a cadeia produtiva, da proteção de mudas em viveiro e em campo à redução de prejuízos e ganhos de eficiência”, afirmou Jean Marcel.
Jaqueline Nascimento, da Embrapii, ressaltou que o projeto é resultado de uma prospecção ativa junto ao setor florestal sul-mato-grossense. Ela enfatizou que a proposta é fortalecer a inovação no próprio território, apoiando empresas de diferentes portes e compartilhando conhecimento acumulado ao longo de décadas. “O que desenvolvemos aqui permanece aqui. Nosso objetivo é encurtar caminhos, transferir experiência e apoiar o crescimento do setor florestal em um dos principais polos do país”, pontuou, ao destacar que este é o primeiro acordo firmado no Estado com uma startup, após iniciativas com grandes empresas.
A parceria da Pantabio e UFV tem integração com grandes players do setor, como Arauco e Bracell (por meio da MS Florestal), que participam do processo de validação e conexão com o ambiente produtivo, reforçando a articulação entre pesquisa, indústria e mercado. A aproximação com empresas consolidadas amplia a escala e a aplicabilidade dos bioinsumos desenvolvidos, inserindo a inovação sul-mato-grossense em cadeias globais de celulose e fibras.
Para o secretário Jaime Verruck, a iniciativa consolida uma ação histórica de incentivo à pesquisa aplicada no setor florestal. “Estamos demonstrando que Mato Grosso do Sul não é apenas um grande produtor de florestas plantadas, mas um território capaz de gerar tecnologia com identidade própria. Ao integrar startups, universidades, centros de excelência e empresas como Arauco e Bracell, criamos um ambiente colaborativo que transforma ciência em competitividade. Esse é o caminho para fortalecer nossa estratégia de bioeconomia, reduzir riscos climáticos no campo e agregar valor à principal cadeia industrial do Estado”, afirmou.
Ao final, os representantes das instituições formalizaram a assinatura do acordo de pesquisa, em um ato que reforça o compromisso do Governo do Estado com a convergência entre ciência, tecnologia, setor produtivo e políticas públicas. “A expectativa é que o projeto gere impactos diretos na produtividade florestal, fortaleça a imagem de Mato Grosso do Sul como território de inovação sustentável e amplie a atração de investimentos em biotecnologia”, finalizou o secretário-executivo Ricardo Senna.
A solenidade contou ainda com a presença do secretário-executivo da Semadesc, Rogério Beretta; do diretor-presidente da Fundect, Cristiano Espínola Carvalho; do reitor da UEMS, professor Laércio de Carvalho; da pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, Erika Kaneta Ferri; do pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Vinícius de Oliveira Ribeiro; do chefe do Setor de Incubadoras e Empresas Juniores, Edwaldo Henrique Bazana Barbosa; da diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha; além de representantes da Embrapii, da UFV, servidores, pesquisadores, parceiros institucionais e integrantes do ecossistema de inovação do Estado.
Marcelo Armôa, Semadesc
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Fonte: Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação – SEMADESC









