domingo, 8 de fevereiro de 2026

Correios entram na mira da vigilância após apreensão de mais de 2 mil emagrecedores e anabolizantes ilegais no Brasil

O uso dos Correios como rota para o envio de medicamentos clandestinos colocou autoridades sanitárias em alerta máximo. Entre os dias 2 e 4 de fevereiro, uma força-tarefa nacional apreendeu mais de 2 mil unidades de emagrecedores e anabolizantes irregulares, escondidos em encomendas postais vindas do Paraguai — muitas delas camufladas como presentes, alimentos e produtos de higiene pessoal.

A operação revelou um esquema cada vez mais sofisticado de transporte ilegal. Os produtos estavam ocultos em bolsas, copos térmicos, erva de tereré, frascos de óleo, cremes hidratantes e até embalagens de feijão e materiais escolares. Em um dos flagrantes, ampolas de medicamentos para emagrecimento chegaram a ser encontradas dentro de potes de creme para cabelo, numa tentativa clara de driblar a fiscalização.

A ação contou com atuação integrada da Vigilância Sanitária Estadual, da Anvisa, da Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul (CVPAF-MS), do Conselho Regional de Farmácia de MS (CRF/MS) e da área de segurança dos Correios. Segundo os órgãos envolvidos, as fiscalizações continuam ao longo de todo o mês.

Grande parte das encomendas foi identificada ainda no fluxo postal, por meio de inspeção por raio-X, sendo imediatamente retida por apresentarem irregularidades sanitárias e condições inadequadas de transporte e armazenamento. Muitos dos medicamentos exigem refrigeração entre 2 °C e 8 °C — exigência totalmente ignorada — o que aumenta significativamente o risco ao consumidor.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul reforçou que a comercialização e o envio de medicamentos não nacionalizados, sem registro ou comprovação de origem, configuram grave ameaça à saúde pública. Sem controle sanitário, esses produtos podem ter composição desconhecida, armazenamento impróprio e nenhuma garantia mínima de qualidade e segurança.

Outro ponto que chamou atenção dos fiscais é a estratégia de marketing usada para enganar compradores. Muitos frascos trazem rótulos indicando procedência de países como Reino Unido e Alemanha — informação falsa. A intenção é criar uma sensação de credibilidade para substâncias que não são reconhecidas por agências reguladoras, como a tirzepatida, ou que ainda estão em fase experimental, caso da retatrutida, sem aprovação para uso em qualquer lugar do mundo.

Diante da expansão desse comércio clandestino, a Anvisa intensificou as ações já no início de 2026. Em Mato Grosso do Sul, uma força-tarefa permanente foi criada dentro do programa Visa Protege, ampliando operações conjuntas com órgãos de fiscalização e segurança pública, especialmente em pontos estratégicos de circulação de mercadorias, como os Correios.