sábado, 7 de fevereiro de 2026

Bloco As Depravadas contagia público da Barão do Rio Branco na manhã deste sábado

  • Publicado em 07 fev 2026

    por Karina Medeiros de Lima •

  • A alegria rolou solta na manhã deste sábado (07) no Calçadão da Barão, em frente ao Bar do Zé. Foi a vez do Bloco As Depravadas animar a folia no carnaval campo-grandense.

    As Depravadas é o bloco de rua mais antigo em atividade na Capital e em 2026 completa 34 anos. Fundado em 1993 por um grupo de profissionais da imprensa de Mato Grosso do Sul, o Bloco As Depravadas nasceu de uma conversa despretensiosa, em mesa de bar, mas carregada de desejo coletivo: colocar o carnaval na rua e criar um espaço de encontro, irreverência e integração social. O nome provocativo, como explicam seus criadores, é uma típica “manchete de jornalista”, pensada para chamar atenção e arrancar sorrisos. Ao longo de mais de três décadas, o bloco provou que a brincadeira sempre foi sinônimo de respeito, diversidade e amor pela cultura popular.

    Entre as atrações musicais, a trilha sonora despertou lembranças afetivas: as clássicas marchinhas de carnaval com a banda Charanga das Depravadas, muito samba com Daran Júnior e toda a alegria e energia do DJ Piti, garantindo um repertório vibrante, dançante e fiel à alma do carnaval de rua.

    A coordenadora do bloco, Eliane Nobre, disse ser uma alegria muito grande estar tradicionalmente no calçadão. “A gente prega a ocupação do centro com alegria, com diversão, então pra gente é sempre uma alegria a gente poder retomar, retornar todos os anos aqui pro Bar do Zé, pra Barão do Rio Branco com a 14, que é esse tradicional centro comercial aqui do nosso município. O Bloco As Depravadas surgiu há 34 anos, a gente esse ano vai abrir as comemorações dos nossos 35 anos, ele surgiu a partir de uma reunião dos profissionais da imprensa de Campo Grande, que queriam brincar o Carnaval, e aí por isso que ele sai sempre no sábado antes, porque sempre no Carnaval os jornalistas, os profissionais estavam trabalhando de plantão no carnaval. Então a gente criou esse bloco e sai tradicionalmente um sábado antes. E hoje a gente abre oficialmente o calendário do Carnaval de Rua de Campo Grande”.

    A jornalista Cissa Ribeiro participa desde a primeira edição do Bloco As Depravadas.  Ela conta como foi: “Eu trabalhava na assessoria de imprensa do então prefeito Lúdio Coelho, e aí nós jornalistas da assessoria resolvemos montar um bloco, né? E resolvemos que seria As Depravadas, os homens se vestiriam de mulheres e as mulheres de homens, e seria pro pessoal, jornalista, publicitário, pessoal de mídia. Aí o primeiro, nós saímos e nos reunimos na Rua 7 de Setembro, num barzinho na Sete, com Arthur Jorge, e descemos a Afonso Pena e viemos parar aqui, no bar do Zé. E aí pegou, todo ano tem. Eu adoro carnaval, embora hoje eu não vá a noite, por outros motivos, mas não dá pra faltar nesse bloco, As Depravadas, é tudo de bom, é um momento de descontração, é um momento de alegria, a gente esquece tudo”.

    A jornalista Flávia Vicunha participa do Bloco As Depravadas desde o início. “A gente vinha aqui pra Rua 14 de Julho, aqui no Bar do Zé, éramos 15, ,15 pessoas, 15 jornalistas foliões, com vontade de brincar o carnaval. Hoje a gente é um movimento grande, organizado, a gente está na agenda oficial da cidade e é muito legal isso, é muito gostoso”.

    Silvana Valu, do Bloco Cordão da Valu, também veio prestigiar o Bloco As Depravadas. “A gente tem que fortalecer todos os blocos de Campo Grande, né? Nós somos um coletivo, hoje, dentro da ABC, da Associação de Blocos de Rua, Aglomerados Blocos de Rua de Campo Grande. E a gente precisa prestigiar esse carnaval que todos os blocos estão fazendo. Dá muito trabalho, né? Dá muita… A gente chora, a gente ri junto. E aí, no dia que sai, a gente tem que vir, tem que prestigiar os amigos, tem que fortalecer essa festa linda que a gente tem feito em Campo Grande”.

    Karla Valeska de Mello trabalha com cultura, principalmente as perspectivas das mulheres, pautando mulheres, pautando cultura underground e pautando cultura LGBT. Ela veio prestigiar o Bloco As Depravadas por achar importante que haja esse momento de apoiar o jornalismo independente, o jornalismo de grandes empresas. “Porque a gente, principalmente agora nesse momento de redes sociais, em que a gente está se explorando mais, e notícias que venham das redes sociais e de mídias de internet, é importante que a gente tenha uma mídia atuante, uma mídia participativa. Uma mídia que se interesse por faltas culturais, faltas sociais, então é fundamental que haja esse apoio da população para essas redes, para esses espaços, para esses profissionais. O Carnaval é a maior festa cultural democrática do Brasil, né? Então é um momento, além da gente se expressar, além de ser um momento em que a gente bota para fora, que a gente dialoga sobre diversas coisas, politicamente, socialmente, é um momento em que a gente consegue se unir enquanto população, é um movimento da economia criativa, é um movimento de todos os profissionais da cultura, então o Carnaval é basilar e fundamental para o nosso país”.

    Texto: Karina Lima

    Fotos: Ana Ostapenko


    Fonte: Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS