
Pequenos produtores rurais do Paraná têm acesso facilitado a ferramentas tecnológicas, inovação e melhoria de processos, produtos e serviços, por meio do Sebraetec. O programa do Sebrae/PR subsidia até 50% do valor de projetos voltados à implantação de tecnologias, melhoria de processos produtivos e adoção de boas práticas de gestão em pequenos negócios. Atualmente, no Vale do Ivaí, 51 produtores recebem o subsídio para melhoria de produtividade.
Um deles é Sidney Banruque, proprietário de seis hectares no Bairro Formoso. Depois de mais de uma década de trabalho como metalúrgico em São José dos Pinhais, ele voltou para Ivaiporã, sua cidade natal, em 2019 com um objetivo claro: comprar um pedaço de terra para se tornar produtor rural. Desde então, Sidney cultiva a Uva Vitória, uma variedade 100% brasileira desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), conhecida por ser uma uva de mesa preta sem sementes, com sabor aframboesado e boa aceitação no mercado consumidor.
“Hoje, conquistamos uma qualidade de vida impensável no período de fábrica. Trabalhamos um terço do que a gente trabalhava com renda 50% superior ao que a gente tinha naquele tempo. Só podemos dizer que estamos muito felizes”, afirma o produtor.
Acesso à tecnologia via Sebraetec

Filho de “gente da roça”, como Sidney define, ao voltar para o Vale do Ivaí ele passou a buscar cursos para realizar o sonho de produzir uvas finas em sua propriedade. Edival Ferreira, mobilizador do Senar-PR, conta que, naquela época, Sidney já demonstrava interesse em aprender as melhores práticas e em estudar o cultivo da Uva Vitória, em busca de se aperfeiçoar.
“Ele nos procurou com demandas específicas e a partir disso, buscamos capacitações específicas que atendessem à necessidade dele”, explica Edival.
A consultora do Sebrae/PR, Joelma Barbosa, explica que em todo o Vale do Ivaí o Sebrae/PR oferece programas de capacitação para pequenos produtores rurais em consultorias de gestão e planejamento das propriedades, além de inovação e tecnologia por meio do Sebraetec.
“O Sidney é um exemplo de empreendedor que sempre está disposto a fazer um novo curso ou participar de um novo programa que o ajude na produção. Ele conseguiu ter acesso à tecnologia e consultoria técnica graças ao Sebraetec. Assim, pôde superar os desafios próprios da uva que ele cultiva, mas não tinha recursos para realizar”, salienta Joelma.
Sidney reconhece que, mesmo com apoio, precisou de muita dedicação. Se hoje ele tem expectativa anual de colher 30 toneladas, nos primeiros anos o montante não passava de 800 quilos.
“Isso mudou a partir do momento que passamos a ser atendidos pelo Sebrae. Passamos a ter um entendimento mais claro sobre organização financeira, objetivos e, também, como tratar desafios típicos do plantio. Com a vantagem de contarmos com um profissional experiente que não tenta empurrar esse ou aquele produto agrícola, como às vezes acontece com representantes de empresas que aparecem aqui no sítio”, pontua aos risos.
Desafio da “podridão da uva madura”
Werner Genta é o engenheiro agrônomo e trabalha na região. Com mais de 40 anos de experiência, ele se dedica à consultoria de produtores rurais de todo o Paraná, especialmente aos que cultivam uvas finas e rústicas no Norte e Noroeste do Estado.
Werner explica que apesar da boa adaptação, a variedade da Uva Vitória é intensamente atingida pela popularmente conhecida como “podridão da uva madura”, doença fúngica extremamente agressiva que provoca manchas marrom-avermelhadas e gera o escurecimento, murchamento e secagem da uva, além da perda do açúcar e amargor.
“Uma consultoria particular para administrar este tipo de problema seria inviável para a realidade para muitos pequenos produtores como o Sidney. Com o Sebraetec isso foi possível. O produtor recebe apoio técnico importante com o investimento subsidiado”, destaca o engenheiro agrônomo.
Crescimento de 75% em dois anos

“A nossa produção cresceu mais de 75%. O próximo passo é investir na utilização da cobertura plástica para proteger ainda mais a produção.” Para cobrir um hectare dedicado à produção de uva, ele conta que a estimativa é investir pelo menos R$220 mil ao longo deste ano.
“Por isso, há algum tempo estamos focados em participar dos dias de campo oferecidos na região e conversar com outros produtores atendidos para definir o melhor material a ser utilizado. Inicialmente vamos fazer um teste em uma área de 3 mil metros³, antes de investir na área total. Este é o tipo de estratégia que a gente não pensaria se não fosse pela consultoria”, relata Sidney.
Além disso, o produtor também afirma que graças à participação no Sebraetec, a partir do próximo plantio, em julho de 2026, irá diversificar as variedades de uvas cultivadas.
“Por uma questão de viabilidade do negócio, vamos cultivar também outras uvas de mesa, como a uva verde sem semente. A ideia é que a gente possa agradar diferentes paladares e, assim, aumentar nosso potencial de vendas”, explica.
Rosário do Ivaí
Pioneiro no cultivo da uva do Vale do Ivaí, Juvenal Braz da Silva iniciou o cultivo na região após 11 anos de trabalho na viticultura de Atibaia, no interior de São Paulo.
“Plantei o primeiro pé aqui em 1987. Em 1999, com outros produtores de uva e de outras pequenas produções, fundamos a Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros de Rosário do Ivaí (Apri)”, conta o atual presidente da entidade e maior produtor da região.
Juvenal afirma que o cultivo da uva na região passou por avanços significativos ao longo dos últimos anos, especialmente a partir do momento em que os produtores conseguiram ampliar o acesso a orientação técnica. Na época, a chamada “doença da uva madura” era um dos principais desafios, responsável por perdas expressivas em algumas propriedades.
“Alguns de nós já recebíamos consultoria particular, mas era um custo muito alto para pequenos produtores. Quando surgiu a oportunidade de acessar consultorias técnicas por meio do Sebraetec, conseguimos avançar. Se antes havia produtores que perdiam toda a produção por causa da doença, hoje podemos dizer que o problema está cerca de 90% controlado e, em algumas propriedades, praticamente resolvido”, relata.
Rosário do Ivaí, município de 5.435 habitantes de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é conhecida como “Capital da Uva Niágara” com produção anual de 2 mil toneladas.
“Ainda não conseguimos implantar o sistema de “colhe e plante” para incentivar o turismo rural. Esse é um desejo, mas já conseguimos disponibilizar o autoatendimento em algumas barracas ao longo da BR-082. Vem gente até do interior de São Paulo para comprar. É só chegar, escolher a fruta e pagar no PIX. Os telefones dos produtores também ficam disponíveis para caso alguém queira encomendar uma quantidade maior. Isso deu tão certo que o valor do quilo para o produtor melhorou muito, já que é uma venda direta. E as pessoas são honestas e pagam direitinho. É muito legal”, aponta.
Sebraetec
O Sebraetec é um programa do Sebrae/PR que oferece serviços tecnológicos subsidiados para micro e pequenas empresas, MEI, produtores rurais e artesãos. O objetivo é aumentar a competitividade através de consultorias em inovação, design, qualidade, sustentabilidade e serviços digitais, melhorando processos e produtos.
O Programa oferece soluções para os pequenos negócios, conectando os empreendedores com uma rede de prestadores de serviços, de acordo com a necessidade do empreendedor, promove o acesso a soluções inovadoras e acompanha todas as etapas para assegurar os melhores resultados.
No Paraná, o valor do subsídio pode chegar até 50% dos projetos e é restrito para Microempreendedor Individual (MEI), Microempresa (ME) e Empresa de pequeno porte (EPP). O empreendedor pode fazer até cinco contratações no ano.

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Fonte: Agência Sebrae de Notícias








