quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

“Bailar no Escuro” ocupa o Casarão Thomé com sessões de sexta a domingo na Capital

A instalação-performática “Bailar no Escuro” chega ao Casarão Thomé, em Campo Grande, com cinco sessões gratuitas nesta sexta-feira (6), às 19h e no sábado (7) e domingo (8), às 19h e às 20h30. O projeto do duo de artistas Halisson Nunes e Verônica Lindquist propõe uma experiência sensorial que atravessa dança contemporânea, literatura, artes visuais e tecnologia.

As apresentações serão promovidas dentro do casarão que fica situado  na  Rua 14 de Julho, 3169, no bairro São Francisco , com  entrada gratuita . Os ingressos são limitados e a retirada será feita  uma hora antes, no local . A obra tem  classificação de 14 anos  e  acessibilidade em Libras .

 “Bailar no Escuro” é configurado como uma instalação performática. Ao chegar, o público é convidado a ocupar um lugar e, a partir desse ponto, acompanhar a ação cênica.  “Não há posicionamento do espectador pelo espaço: cada pessoa assiste à obra a partir do seu campo de visão, criando uma experiência singular, determinada pelo lugar que ocupa”, informa Halisson.

A obra faz uso de recursos tecnológicos que interferem silenciosamente na percepção. O que se vê nunca é inteiro, o que se escuta nunca é só — uma experiência que se desenvolve no intervalo entre o visível e o oculto.

O projeto nasceu da prosa poética homônima “Bailar no Escuro”, escrito pela própria Verônica Lindquist no período da pandemia. “‘Bailar no Escuro’ é um encontro de experimentações no encontro de linguagens entre artes visuais, literatura e expressão corporal. Quando entramos nesse campo, surgem inquietações sobre as relações humanas no mundo contemporâneo, que depois se expandem para pensar as relações interespécies, uma comunicação mais subterrânea, imagética”, detalha a artista.

A definição como instalação-performática surge da própria natureza do processo criativo. “Entendemos que o trabalho provavelmente seja vivo. A expressão corporal não é coreografada, mas construída no agora, como nas performances. Cada sessão é diferente da anterior, porque depende do espaço, das relações e da presença de quem está ali”, afirma Halisson.

Casarão Thomé –  A sessão tem duração de 40 minutos e ocupa três cômodos, onde esculturas e elementos cenográficos dialogam com a arquitetura, as paredes e a história do lugar, criando uma atmosfera imersiva e fragmentada — como as próprias memórias que o espaço abriga.

Erguido em 1947, a casa é um patrimônio histórico de Campo Grande que guarda parte significativa da história urbana e cultural de Mato Grosso do Sul. Construído pela família Thomé, responsável por obras emblemáticas da cidade — como o Relógio da Rua 14 de Julho, os Correios, o Americano Hotel, o Cinema Rialto e a primeira ponte de concreto do Estado —, o espaço hoje está sob a gestão da artista Miska Thomé, neta de Manoel Thomé.

Com 80 anos de história, o casarão abrigará um acervo de fotografias, documentos, jornais, bonecas de trabalho e objetos pessoais da família, mantendo viva a memória de uma época e se consolidando como espaço cultural ativo, aberto ao encontro entre arte, história e público.

Literatura como camada, dança como escuta –  O poema “Bailar no Escuro” aborda, como tema central, a busca por comunicação e pelo outro. “É um tatear no escuro que cria ritmo, diálogo, expansão e retração. Uma dança. Desse escuro emergem memórias, ancestralidades e também reflexões sobre o virtual, que transcendem a ideia de presença física”, afirma.

Ao refletir sobre as relações humanas na era digital, a obra desloca o olhar do humano para outras formas de comunicação presentes na natureza. “O trabalho questiona essa separação entre real e virtual. Observamos as plantas, as redes subterrâneas, os rizomas, as teias. Essas imagens nos ajudam a perceber que nossa ideia de rede digital nasce da própria natureza, de como nos comunicamos com ela e com nós mesmos”, conclui.

O projeto conta com financiamento da PNAB – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do MinC – Ministério da Cultura, Governo do Federal, via edital da Fundac – Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande que é vinculada à Prefeitura de Campo Grande. Acompanhe o trabalho pelo Instagram  @bailarnoescuro .

Serviço: Bailar no Escuro

Sessões: sexta-feira (06) – às 19h Sábado (07) e Domingo (08) – às 19h e às 20h30 Local: Casarão Thomé
Endereço: Rua 14 de Julho, 3169 – São Francisco – Campo Grande (MS)

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita