segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Uso de canetas emagrecedoras são temas de vários estudos - Foto: Freepik

Estudo associa uso de Ozempic e Mounjaro a queda de mais de 50% na mortalidade por câncer de intestino

Um estudo publicado na revista científica Cancer Investigation aponta que o uso de medicamentos análogos do hormônio GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, está associado a uma redução significativa na mortalidade de pacientes com câncer de intestino. De acordo com os pesquisadores, o risco de morte em até cinco anos foi mais de 50% menor entre os pacientes que utilizavam os fármacos, em comparação com aqueles que não faziam uso desse tipo de medicação.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, que analisaram dados de 6.871 pacientes diagnosticados com câncer de cólon. Entre os usuários dos medicamentos, a taxa de mortalidade em cinco anos foi de 15,5%, enquanto entre os não usuários chegou a 37,1%. Após ajustes para fatores como idade, gravidade da doença e índice de massa corporal (IMC), a probabilidade de morte permaneceu 62% menor no grupo que utilizava os remédios.

Os autores destacam que o efeito foi mais expressivo em pacientes com obesidade grave, com IMC acima de 35 kg/m². Segundo os pesquisadores, isso reforça a hipótese de que os medicamentos, originalmente aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, possam contribuir para melhorar condições metabólicas e inflamatórias que impactam negativamente o prognóstico do câncer de intestino.

Além do controle da glicemia e da perda de peso, os análogos de GLP-1 também reduzem a inflamação sistêmica e melhoram a sensibilidade à insulina, fatores que podem influenciar o comportamento tumoral. Estudos laboratoriais anteriores já indicaram que essas substâncias são capazes de inibir o crescimento de células cancerígenas e induzir a morte celular, além de modificar o microambiente do tumor.

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores alertam que o estudo é observacional e não permite afirmar que os medicamentos sejam diretamente responsáveis pela redução da mortalidade. Para confirmar a relação de causa e efeito, ainda serão necessários ensaios clínicos que avaliem os análogos de GLP-1 como parte do tratamento oncológico. Até lá, os especialistas reforçam que os fármacos devem ser utilizados apenas dentro das indicações médicas já aprovadas.