terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Dia da saudade: pequenos negócios conectam clientes com sabores da terra natal

Pequenos negócios especializados em produtos regionais podem encontrar em datas comemorativas, como o Dia da Saudade, celebrado em 30 de janeiro, uma forma de ampliar oportunidades de vendas ao se conectar com seus clientes. Para quem vive longe da terra natal, saborear uma comida típica, por exemplo, é um meio para resgatar memórias e restabelecer conexões com suas próprias raízes.

O restaurante Tucupi do Tacacá, em Pirenópolis (GO), carrega as lembranças de infância do casal Janine e Ricardo. Eles se conheceram ainda crianças em Belém (PA). O pequeno negócio nasceu do reencontro dos dois pelas redes sociais, após 36 anos, e da vontade de compartilhar a riqueza da culinária do norte do país.

“Nosso propósito é oferecer uma experiência incrível, não apenas o sabor, mas também algo que te toca na alma. Você logo se apaixona. É possível sentir umami em vários pratos do nosso cardápio”, conta Janine, proprietária do restaurante Tucupi do Tacacá que já funcionou Vila Velha (ES) e em Brasília (DF), antes de se estabelecer em Pirenópolis. Umami é uma expressão que se refere ao quinto sabor básico do paladar, junto com o doce, salgado, azedo e amargo.

Janine é uma das proprietárias do restaurante Tucupi no Tacacá, em Pirenópolis | Foto: Divulgação

Sempre que tem tempo, o casal gosta de contar a origem dos sabores amazônicos e a história de cada prato e ingrediente. “Nossa decoração remete a um ambiente temático e acolhedor. Adoramos servir e realizamos de forma artesanal a preparação e finalização de 90% de tudo que servimos. Tudo muito fresco e de alta qualidade”, acrescenta a empreendedora.

Janine garante que a procura pelo restaurante vai além da fome ou da saudade. “A culinária paraense alimenta não só o corpo, mas ela cura e afaga a alma”, orgulha-se. Ela acredita que a valorização da cultura e o resgate de memórias afetivas são diferenciais competitivos.

A empreendedora ressalta ainda que isso contribuiu para melhorar as condições do próprio negócio. “Antes não existia a disponibilidade de ingredientes para uma gestão de estoque e um fluxo de transporte maior. Agora conseguimos renovar nosso estoque em menos tempo”, explica.

Foto: Gabriel de Paiva

Gostinho do Nordeste

Na Feira de São Cristovão, principal reduto da cultura nordestina no Rio de Janeiro, o casal empreendedor Luiz e Cátia comandam o Armazém Nordestino. Quem vê o tamanho da loja – ocupando seis boxes no local – e uma imensa variedade de produtos não imagina que o empreendimento nasceu, há 10 anos, de maneira simples com a venda de castanhas de caju, de porta em porta, dentro de uma mochila.

As primeiras castanhas de caju comercializadas eram originadas de Jacaraú (PB), cidade natal de Luiz. Ao mesmo tempo que incentivava a produção e o desenvolvimento do município paraibano, ele e a esposa começavam a estruturar o negócio na capital carioca.

O casal Luiz e Cátia, empreendedores do Armazém Nordestino, no Rio de Janeiro (RJ) | Foto: Divulgação

“A demanda foi aumentando e mais de 200 famílias de Jacaraú forneciam para nós em sistema de cooperação. Hoje somos referência no setor de castanhas no Rio de Janeiro com fornecedores de vários estados do nordeste. O produto é nosso carro-chefe, mas nosso portfólio tem mais de 300 itens em venda, inclusive pela internet”, esclarece.

O empreendedor conta que a maioria dos clientes são nordestinos que moram fora do Brasil. “Muitos clientes são conhecidos nossos da Paraíba, mas tem muitas pessoas que procuram produtos que têm gosto de infância e que dá saudade do que já passou”, comenta.

No exterior, os produtos do Armazém Nordestino são enviados tanto para pessoas físicas quanto jurídicas em países como Arábia Saudita, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Itália, entre outros.


Fonte: Agência Sebrae de Notícias