Começamos a montar o nosso acampamento. Primeiro erguemos o domo e, na sequência, enquanto Kaynã organizava a cozinha, Yudith e eu montávamos a barraca dos clientes. Assim que Kaynã conseguiu arrumar a cozinha dentro do domo, ele já começou a servir petiscos, e mais tarde, desfrutamos do nosso primeiro jantar: um caprichado Yakisoba de frango, com brigadeiro de colher de sobremesa. Wellington e Igor foram os últimos a chegar, mas a tempo de aproveitar o jantar e descansar.
Por ser um acampamento temporário, onde passaríamos apenas uma noite, Yudith e eu dormimos no domo da cozinha para economizar tempo, evitando a montagem e desmontagem de uma barraca extra no dia seguinte.
Acordamos muito cedo e iniciamos a organização. Enquanto os clientes deixavam as barracas, nós as desmontávamos e organizávamos tudo para ser novamente colocado nas mulas. Simultaneamente, Kaynã servia o café da manhã. Terminamos os preparativos mais cedo do que o previsto e iniciamos a caminhada, primeiramente os clientes com ritmo mais lento, e depois os mais rápidos, que tiveram mais tempo para descanso e organização.
Eu fui na frente com os outros cinco clientes, e Yudith ficou acompanhando Igor, que caminhava em um ritmo mais vagaroso. Rapidamente, alcançamos os clientes mais lentos e começamos a andar juntos por um tempo, mas depois acabamos ultrapassando-os. Enquanto isso, Wellington e Kaynã ficaram no acampamento para desmontar o domo e organizar todos os itens da cozinha, uma tarefa que exige organização e conhecimento técnico, pois o equipamento mal guardado pode ser danificado pelas mulas. Eles levaram mais de duas horas para essa tarefa e saíram bem depois de nós.
Eles nos alcançaram e nos ultrapassaram, e, ao cruzarmos na trilha, combinamos uma estratégia: já que estavam caminhando mais rápido, chegariam antes ao nosso próximo destino, o Acampamento Base Federación, que fica a 4.100 metros de altitude. Lá, eles já começariam a montar a estrutura para que, quando chegássemos, tudo estivesse organizado e encaminhado, proporcionando-nos maior conforto.
No entanto, as mulas acabaram demorando mais do que imaginávamos. Quando chegamos, o acampamento ainda não estava montado. Para agilizar, montamos o domo rapidamente e, em seguida, eu e Wellington finalizamos a montagem de todas as barracas e fomos buscar água no rio para iniciar o almoço. Nossa divisão de trabalho funcionou e, rapidamente, tínhamos um confortável acampamento montado.
Já era 31 de dezembro, o que significava que logo mais teríamos a passagem do ano. Servimos alguns petiscos, como queijos e salgadinhos, para o conforto de todos. Após um breve descanso, preparamos um jantar bem especial e, de sobremesa, fizemos um delicioso fondue de chocolate. Em seguida, abrimos um champanhe, uma hora antes da meia-noite, pois todos estavam cansados e desejavam dormir. Passamos a virada de Ano-Novo dormindo na barraca, em total silêncio, em nosso acampamento-base a 4.100 metros de altitude.
No dia 1º de janeiro, Yudith saiu às 4h00 da manhã para fazer o cume e verificar as condições da rota. Eu acordei pela manhã para lavar a louça e a bagunça da noite anterior, sentindo uma leve dor de cabeça por ter me desidratado durante a noite.
O dia foi calmo e de descanso, sem muito o que fazer. Liguei a internet em dois momentos, mas nenhuma notícia ou grande acontecimento novo surgiu, restando apenas o sentimento de que as coisas deveriam estar prontas para o ataque final ao cume do Cerro Plomo, que faríamos durante a noite. O Igor, em um momento de confusão noturna, acabou errando a mira ao usar a garrafa de xixi e fez xixi no saco de dormir. Essa foi a única novidade do dia, além do fato de ser o primeiro dia do ano. Muitas expectativas para nosso ataque ao cume.






