A partir de hoje, 12 de novembro, a Ryanair deixa oficialmente de aceitar o cartão de embarque impresso como padrão. Todos os passageiros da companhia aérea deverão, a partir de agora, utilizar o cartão de embarque digital gerado no aplicativo MyRyanair, disponível para Android e iOS.
A medida faz parte da estratégia da empresa para tornar o processo de embarque mais ágil, reduzir custos de operação nos aeroportos e eliminar o uso de papel. Segundo a própria Ryanair, mais de 80% dos clientes já utilizavam o cartão digital, o que tornou natural a transição para um sistema 100% online.
Atualmente, a Ryanair é a maior companhia aérea low cost(baixo custo) da Europa, com voos para mais de 230 destinos em quase 40 países, incluindo França, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Grécia, Marrocos e até algumas rotas sazonais para o Oriente Médio. A empresa realiza milhares de voos diários e é uma das principais responsáveis pela democratização das viagens aéreas no continente europeu.
No entanto, a Ryanair também é conhecida por ser uma das companhias aéreas europeias que mais acumulam reclamações de passageiros. Em plataformas como o Trustpilot e o ConsumerBoard, há milhares de relatos de consumidores insatisfeitos com o atendimento, taxas adicionais e falhas de comunicação. O órgão britânico AviationADR também reúne reclamações oficiais de clientes sobre atrasos, cancelamentos e problemas com bagagem.
Apesar da mudança do cartão impresso, ainda haverá exceções pontuais, especialmente em destinos onde a infraestrutura aeroportuária não permite o embarque apenas com o celular, como em alguns aeroportos de Marrocos. Nesses casos, o passageiro ainda poderá apresentar um cartão impresso.
A companhia também afirma que, em situações emergenciais, como perda ou falta de bateria no smartphone, será possível solicitar a reemissão do cartão no aeroporto, embora esse procedimento possa estar sujeito a limitações ou taxas.
A recomendação da Ryanair é que todos os viajantes façam o check-in online com antecedência, mantenham o aplicativo MyRyanair instalado e atualizado e garantam que o celular esteja carregado antes de chegar ao portão de embarque. A decisão reforça uma tendência global de digitalização no setor aéreo, em que o papel vem sendo gradualmente substituído por aplicativos e sistemas automatizados, algo que já acontece em companhias como a EasyJet e a Wizz Air.
E embora a digitalização pareça um avanço, a decisão de limitar o embarque exclusivamente ao uso do aplicativo pode gerar uma série de transtornos práticos. Ainda existem passageiros que não têm celulares compatíveis, estão sem memória no aparelho ou sem bateria no momento do embarque. Nessas situações, a falta de alternativas pode acabar prejudicando o próprio cliente. Na minha visão, esse tipo de prática não deveria ser imposta como única opção, porque no fim das contas acaba restringindo o direito de escolha do passageiro, e isso, em tempos de inclusão digital ainda desigual, pode se tornar um problema maior do que parece.








